O presidente Donald Trump afirmou no domingo que os Estados Unidos iniciariam, na manhã de segunda-feira, uma operação para liberar os navios retidos no Estreito de Ormuz.
Em uma publicação em seu site Truth Social, Trump deu poucos detalhes sobre a operação, inclusive se a Marinha dos EUA estaria envolvida. Ele descreveu a ação como um "gesto humanitário" destinado apenas a auxiliar países neutros que não estavam envolvidos na guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
"Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos Estados Unidos, dissemos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas, para que possam prosseguir com seus negócios livremente e sem problemas", escreveu Trump na publicação.
A Casa Branca e o Pentágono não responderam imediatamente aos pedidos de informações adicionais.
Transportadora a granel relata ataque
Um navio graneleiro relatou ter sido atacado por várias embarcações menores enquanto navegava para o norte, a cerca de 11 milhas náuticas a oeste de Sirik, no Irã, no domingo, informou a agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, acrescentando que toda a tripulação está em segurança e nenhum impacto ambiental foi relatado.
Mais tarde, no domingo, a agência de notícias semioficial iraniana Fars afirmou que o navio não foi apreendido e que foi parado pela Marinha iraniana para verificação de documentos como parte de procedimentos de supervisão.
AGINDO “COMO PIRATAS”
Na sexta-feira, Trump disse que a Marinha dos EUA estava agindo "como piratas" ao executar o bloqueio naval de Washington aos portos iranianos durante a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã.
Trump fez esses comentários ao descrever a apreensão de um navio pelas forças americanas alguns dias atrás.
"Nós assumimos o controle do navio, da carga e do petróleo. É um negócio muito lucrativo", disse Trump em um pronunciamento na noite de sexta-feira.
"Somos como piratas. Somos meio que como piratas, mas não estamos brincando."
Algumas embarcações de Teerã foram apreendidas pelos EUA após deixarem portos iranianos, juntamente com navios porta-contentores e petroleiros iranianos sujeitos a sanções em águas asiáticas.
Desde o início da guerra, o Irã bloqueou quase todos os navios que passam pelo Estreito de Ormuz, com exceção dos seus próprios. Trump impôs um bloqueio separado aos portos iranianos.
Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro. O Irã respondeu com seus próprios ataques contra Israel e os países do Golfo que abrigam bases americanas. Os ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã e os ataques israelenses no Líbano mataram milhares de pessoas e deslocaram milhões.
A guerra elevou os preços do petróleo e levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento para cerca de 20% das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito.
Trump, que apresentou cronogramas e objetivos variáveis para a guerra, que continua impopular nos EUA, enfrentou ampla condenação por seus comentários sobre o conflito, inclusive quando ameaçou destruir toda a civilização do Irã no mês passado.
No mês passado, muitos especialistas americanos afirmaram que os ataques dos Estados Unidos ao Irã podem constituir crimes de guerra, após Trump ter ameaçado atacar infraestruturas civis.
(Reuters)