Um navio cargueiro que transportava trigo afundou no Mar de Azov após ser atacado por drones ucranianos, disse neste domingo um funcionário indicado pela Rússia, deixando uma pessoa morta e duas desaparecidas.
Vladimir Saldo, líder designado por Moscou para as áreas da região de Kherson, na Ucrânia, controladas pela Rússia, afirmou que o ataque ocorreu na sexta-feira, mas os membros da tripulação só puderam informar o que havia acontecido com eles no domingo.
"Tornou-se público que o motivo do naufrágio do Volgo-Balt no Mar de Azov foi um ataque terrorista do regime de Kiev", escreveu Saldo no Telegram.
Ele disse que a tripulação abandonou o navio e só conseguiu chegar à costa no domingo, perto da vila de Strilkove, na região de Kherson.
Ele disse que um auxiliar do capitão havia falecido e que duas pessoas estavam desaparecidas, acrescentando que uma investigação sobre o incidente estava em andamento. O capitão estava se recuperando em um hospital.
"Infelizmente, este não é o primeiro caso de ataque da Ucrânia a um navio mercante em águas neutras. Haverá uma resposta a este crime", disse Saldo.
Em uma publicação anterior, ele disse que nove tripulantes foram encontrados vivos na costa - todos cidadãos russos.
Kherson é uma das quatro regiões ucranianas anexadas pela Rússia em 2022, mais de seis meses após a invasão de Moscou. As forças russas controlam pouco mais de 70% das duas regiões de Zaporíjia e Kherson, no sul do país.
ZELENSKIY PROMETE COOPERAÇÃO EM SEGURANÇA COM A TURQUIA
Após se reunir com seu homólogo turco, Tayyip Erdogan, no sábado, em Istambul, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, pediu maior cooperação entre os dois países. Kiev busca capitalizar sua experiência em tempos de guerra no cenário internacional.
Zelenskiy afirmou que ele e o presidente turco concordaram em tomar "novas medidas" na cooperação em segurança e que as equipes finalizarão os detalhes em breve.
"Isso é especialmente verdade nas áreas em que podemos ajudar a Turquia: conhecimento especializado e tecnologia", escreveu ele via Telegram.
Erdogan disse a Zelenskiy que a Turquia apoiaria as negociações entre a Ucrânia e a Rússia para pôr fim à guerra.
Zelenskiy afirmou que os dois líderes discutiram oportunidades de cooperação em projetos conjuntos de gás e desenvolvimento conjunto de campos.
A Turquia exige segurança marítima no Mar Negro.
As primeiras negociações de paz foram realizadas em 2022 pela Turquia, um país membro da OTAN que mantinha laços estreitos com ambos os lados. Este foi o único encontro desse tipo até que Donald Trump, presidente dos EUA, lançou um esforço renovado para cessar as hostilidades no ano passado.
A presidência declarou que, na reunião de sábado em Istambul, Erdogan informou Zelenskiy sobre a importância que a Turquia atribui à segurança marítima do Mar Negro e à segurança do abastecimento energético.
Na semana passada, um drone marítimo causou uma explosão perto do Estreito de Bósforo, em Istambul, no Mar Negro, após atingir um petroleiro que havia partido da Rússia. A Turquia condenou o incidente. Este foi um dos vários incidentes ocorridos nos últimos meses envolvendo embarcações sancionadas pelo Ocidente e que se dirigiam para ou partiam de portos russos no Mar Negro.
A Ucrânia assinou recentemente acordos de cooperação em segurança com a Arábia Saudita, o Catar e os Emirados Árabes Unidos, e afirma estar atualmente em negociações com outros países do Oriente Médio sobre acordos semelhantes.
A Ucrânia está aproveitando a experiência adquirida no combate a drones durante os quatro anos de guerra com a Rússia.
Desde a invasão de fevereiro de 2022, Moscou tem usado drones de projeto iraniano para atacar a Ucrânia.
PORTO DO BÁLTICO RETOMA CARREGAMENTO
O porto russo de Ust-Luga, no Mar Báltico, retomou o carregamento de petróleo bruto após dias de interrupções em meio a múltiplos ataques de drones ucranianos na região, informou a Bloomberg News neste domingo.
O navio Jewel, da classe Aframax, iniciou o carregamento de carga no sábado, segundo informações de transporte marítimo obtidas pela Bloomberg.
No final de março, drones ucranianos atacaram o porto russo de Ust-Luga, no Mar Báltico, pela quinta vez em 10 dias, e fontes da indústria disseram à Reuters que os drones atingiram instalações de carregamento de petróleo bruto operadas pela Transneft, o monopólio russo de oleodutos.
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente a informação. A Transneft não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
Pelo menos 40% da capacidade de exportação de petróleo da Rússia foi afetada por ataques com drones, um ataque controverso a um importante oleoduto e a apreensão de petroleiros, informou a Reuters no mês passado, citando cálculos baseados em dados de mercado.
(Reuters)