Pelo menos três petroleiros foram atingidos no Golfo.

2 março 2026
Fonte: redes sociais
Fonte: redes sociais

Pelo menos três navios-tanque foram danificados na costa do Golfo Pérsico e um marinheiro morreu, em retaliação iraniana aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, que expuseram os navios a danos colaterais, disseram fontes e autoridades do setor marítimo neste domingo.

Os riscos para a navegação comercial aumentaram nas últimas 24 horas, com mais de 200 embarcações, incluindo petroleiros e navios-tanque de gás liquefeito, ancorando no Estreito de Ormuz e nas águas adjacentes, segundo dados de navegação divulgados neste domingo.

O Irã anunciou o fechamento da navegação nessa importante via navegável, o que levou governos e refinarias asiáticas – compradores cruciais – a reavaliarem seus estoques de petróleo.

As Forças Armadas dos EUA anunciaram no domingo as primeiras baixas americanas, enquanto uma nova pesquisa mostrou que apenas um em cada quatro americanos apoiava ataques contra o país do Oriente Médio.

No segundo dia do conflito, Trump afirmou que 48 líderes iranianos haviam sido mortos e que as forças armadas americanas haviam começado a afundar a Marinha do Irã, destruindo nove navios de guerra iranianos até o momento e "indo atrás do restante".

Desde que Trump ordenou o início das principais operações de combate no sábado, aeronaves e navios de guerra dos EUA atacaram mais de 1.000 alvos iranianos, informou o Exército americano. Os ataques incluem bombardeiros furtivos B-2 lançando bombas de 907 kg (2.000 lb) contra instalações subterrâneas fortificadas de mísseis iranianos.

As principais companhias de transporte marítimo de contêineres redirecionaram suas rotas, contornando o Cabo da Boa Esperança.

"O ataque conjunto dos EUA e de Israel ao Irã aumenta drasticamente o risco de segurança para os navios que operam no Golfo Pérsico e em águas adjacentes", disse Jakob Larsen, diretor de segurança da associação de navegação BIMCO.

Não ficou imediatamente claro quem lançou os projéteis e drones que alvejaram ou danificaram navios no domingo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, entretanto, que os Estados Unidos destruíram nove navios da marinha iraniana e bombardearam o quartel-general da Marinha do Irã.

'NAVIOS PODEM SER ALVO DELIBERADAMENTE OU POR ENGANO'

"Navios com ligações comerciais a interesses dos EUA ou de Israel têm maior probabilidade de serem alvos, mas outros navios também podem ser alvejados deliberadamente ou por engano", disse Larsen, da BIMCO.

Um projétil atingiu o navio-tanque de produtos químicos MKD VYOM, com bandeira das Ilhas Marshall, matando um membro da tripulação a bordo enquanto a embarcação navegava na costa de Omã, informou no domingo a empresa gestora do navio, V.Ships.

"A embarcação sofreu uma explosão e um incêndio subsequente após ser atingida", afirmou a V.Ships Asia em um comunicado.

"É com grande tristeza que confirmamos o falecimento de um membro da tripulação, que estava na sala de máquinas no momento do incidente", diz o comunicado.

A OMI recomendou às empresas que evitassem navegar pela área afetada até que as condições melhorassem.

Um petroleiro sujeito a sanções dos EUA também foi atingido no domingo ao largo da península de Musandam, em Omã, ferindo quatro pessoas, informou o centro de segurança marítima do país, sem especificar o que atingiu a embarcação.

Outro navio-tanque no porto de Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos, quase foi danificado por destroços que caíram durante uma interceptação aérea após ataques iranianos noturnos contra países do Golfo, disseram fontes de segurança marítima.

Um terceiro navio-tanque de abastecimento de petróleo foi danificado na costa dos Emirados Árabes Unidos, disseram duas fontes do setor de transporte marítimo.

Uma quarta embarcação, um navio-tanque para transporte de produtos petrolíferos, foi alvo de um ataque com drone na costa dos Emirados Árabes Unidos, embora tenha conseguido navegar sem sofrer danos, disseram fontes de segurança marítima.

As operações portuárias em Jebel Ali foram suspensas devido à situação, disseram autoridades no domingo.

RISCO DE MINAS

As embarcações foram aconselhadas a manter distância do Estreito de Ormuz e do Golfo de Omã em geral devido ao risco de ataques retaliatórios por parte do Irã, informou a Administração Marítima do Ministério dos Transportes dos EUA em um comunicado divulgado separadamente no sábado.

"Qualquer embarcação comercial com bandeira, propriedade ou tripulação dos EUA que esteja operando nessas áreas deve manter uma distância de 30 milhas náuticas de embarcações militares dos EUA para reduzir o risco de ser confundida com uma ameaça", afirmou o comunicado.

Fontes de segurança disseram que também existia o risco potencial de minas serem colocadas pelas forças iranianas nas estreitas vias navegáveis do Estreito de Ormuz.

Em junho, militares iranianos carregaram minas navais em embarcações no Golfo Pérsico, aumentando a preocupação em Washington de que Teerã estivesse se preparando para estabelecer um bloqueio no Estreito de Ormuz, disseram dois funcionários americanos à Reuters em julho.

Fontes do setor marítimo disseram esperar um aumento nas taxas de seguro contra riscos de guerra quando as seguradoras revisarem a cobertura na segunda-feira.

É necessário ter cobertura contra riscos de guerra ao navegar em áreas perigosas, e o mercado Lloyd's de Londres já classificou o Irã, o Golfo Pérsico e partes do Golfo de Omã como áreas de alto risco.

"Estimamos que os aumentos de curto prazo nas taxas de seguro de casco marítimo no Golfo do México possam variar de 25% a 50%", disse Dylan Mortimer, da corretora de seguros Marsh.

RESPOSTA DA OTAN

A missão naval Aspides da União Europeia para o Mar Vermelho, Golfo Pérsico e Oceano Índico será reforçada com navios adicionais, afirmou no domingo a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas.

"Nossa missão naval, Aspides, registrou um aumento acentuado nos pedidos de proteção, e a reforçaremos com navios adicionais para fortalecer a segurança marítima na região", disse Kallas em um comunicado após uma videoconferência com ministros das Relações Exteriores europeus, acrescentando que também planeja convocar uma reunião com os países do Golfo.


(Reuters)

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